08 de agosto de 2026
A evolução do vibe coding: de prompts soltos a agentes que programam sozinhos
Em fevereiro de 2025, Andrej Karpathy batizou de 'vibe coding' a prática de programar só descrevendo a intenção para uma IA. Menos de um ano depois, agentes como Claude Code e Copilot coding agent já leem repositórios inteiros, usam ferramentas via Model Context Protocol e executam tarefas completas de desenvolvimento sob supervisão humana.
por Vinicius Levi
Resposta rápida
Vibe coding nasceu em fevereiro de 2025 como um jeito de programar só por descrição em linguagem natural, sem ler o código gerado. Um ano depois, a prática amadureceu para 'agentic engineering': agentes de IA que leem contexto, chamam ferramentas e APIs via protocolos como o MCP e executam tarefas completas de desenvolvimento sob supervisão humana.
De um post solto a um padrão de mercado
Em 2 de fevereiro de 2025, o pesquisador Andrej Karpathy publicou um post descrevendo um jeito de programar em que ele "dava total liberdade às vibes" e "esquecia que o código existia" — aceitando sugestões de IA sem revisar cada linha. O post batizou o "vibe coding" e, em novembro de 2025, o termo virou palavra do ano do Collins Dictionary. Mas o próprio Karpathy já não usa o termo do mesmo jeito: em 2026 ele passou a falar em "agentic engineering" para descrever uma prática mais madura, com agentes de IA fazendo o trabalho e o desenvolvedor supervisionando.
De prompt para agente: o que mudou na prática
No vibe coding original, o fluxo era conversa: descrever, gerar, colar, testar manualmente. O que mudou desde então foi a unidade de trabalho. Em vez de pedir uma função, dá para pedir "implemente esta funcionalidade", "refatore este módulo" ou "escreva e rode os testes até passarem" — e o agente executa a sequência sozinho, voltando só quando termina ou trava. Isso exige que o agente leia o repositório inteiro, entenda dependências e tenha acesso a ferramentas reais: terminal, sistema de arquivos, testes, controle de versão.
O padrão que conecta agente, ferramenta e API
Esse acesso a ferramentas não é mágico: precisa de um protocolo. A Anthropic lançou o Model Context Protocol (MCP) em novembro de 2024 como um jeito padronizado de um modelo de IA se conectar a arquivos, bancos de dados e APIs externas, em vez de cada assistente exigir sua própria integração sob medida. O padrão pegou: a OpenAI passou a suportá-lo em 2025, e em dezembro do mesmo ano a Anthropic doou o MCP para a recém-criada Agentic AI Foundation, ligada à Linux Foundation e cofundada com OpenAI e Block. Na época da doação, o ecossistema já somava mais de 10 mil servidores MCP públicos ativos.
Onde isso já roda em produção
Duas ferramentas ilustram a virada. O Claude Code, da Anthropic, estreou em prévia de pesquisa em fevereiro de 2025 e chegou à disponibilidade geral em maio do mesmo ano, com capacidade de buscar e editar código, rodar testes e commitar mudanças. O GitHub seguiu caminho parecido: lançou o agent mode do Copilot em fevereiro de 2025 e, em setembro, tornou geral a disponibilidade do Copilot coding agent — um agente assíncrono que abre pull request sozinho e pede revisão só no fim. Antes de tudo isso, em março de 2024, a Cognition Labs já tinha mostrado o Devin, apresentado como "o primeiro engenheiro de software de IA", uma prova de conceito do que essas ferramentas fariam depois em escala de produto.
O que continua sendo trabalho humano
Nenhuma dessas ferramentas elimina a revisão. Karpathy resume assim: dá para terceirizar o trabalho de digitar, mas não dá para terceirizar o entendimento — se o agente errar uma decisão de arquitetura ou segurança, quem assina o pull request continua sendo o desenvolvedor. A evolução do vibe coding não é a IA programando sozinha; é o trabalho humano migrando de escrever cada linha para decidir o que pedir, avaliar o que voltou e manter a responsabilidade pelo resultado.
Respostas citáveis
O que é vibe coding?
Vibe coding é o nome dado por Andrej Karpathy, em fevereiro de 2025, à prática de programar descrevendo a intenção em linguagem natural e deixando que um modelo de IA gere o código, muitas vezes sem revisar cada mudança.
Qual a diferença entre vibe coding e agentic engineering?
Vibe coding baixa a barreira de entrada para quem não programa profissionalmente; agentic engineering, termo que o próprio Karpathy passou a usar em 2026, descreve orquestrar agentes de IA em produção com supervisão, segurança e manutenibilidade como responsabilidade do desenvolvedor.
O que é o Model Context Protocol (MCP)?
O MCP é um padrão aberto criado pela Anthropic em novembro de 2024 para conectar modelos de IA a ferramentas, arquivos e APIs externas de forma padronizada, hoje adotado por produtos como ChatGPT, Copilot, Gemini e Cursor.
Como agentes de IA executam tarefas completas de desenvolvimento hoje?
Ferramentas como Claude Code e o Copilot coding agent leem o repositório, escrevem e rodam testes, abrem pull requests e usam protocolos como o MCP para chamar ferramentas e APIs externas, com o desenvolvedor revisando o resultado.
Vibe coding ainda depende de supervisão humana?
Sim. Mesmo com agentes executando tarefas maiores, Karpathy e as próprias empresas que constroem essas ferramentas mantêm a revisão humana como etapa central, já que os agentes ainda cometem erros de arquitetura e julgamento.
Blocos citáveis
- O termo 'vibe coding' foi cunhado por Andrej Karpathy em um post no X publicado em 2 de fevereiro de 2025.
- Em novembro de 2025, o Collins Dictionary elegeu 'vibe coding' a palavra do ano.
- A Anthropic lançou o Model Context Protocol (MCP) em 25 de novembro de 2024 como um padrão aberto para conectar modelos de IA a ferramentas e fontes de dados externas.
- O Claude Code, ferramenta de codificação agente da Anthropic, estreou em prévia de pesquisa em 24 de fevereiro de 2025 e chegou à disponibilidade geral em maio de 2025.
- O GitHub lançou o agent mode do Copilot em 6 de fevereiro de 2025 e tornou o Copilot coding agent, um agente assíncrono e autônomo, geralmente disponível em 25 de setembro de 2025.
- Em dezembro de 2025, a Anthropic doou o MCP para a recém-criada Agentic AI Foundation, ligada à Linux Foundation e cofundada também por OpenAI e Block.
- Em dezembro de 2025, o ecossistema do MCP já somava mais de 10 mil servidores públicos ativos e mais de 97 milhões de downloads mensais de SDK, segundo a Anthropic.
- Em 2026, Andrej Karpathy passou a descrever a prática mais madura de programar com IA como 'agentic engineering', para diferenciá-la do vibe coding original.
Perguntas frequentes
Fontes e evidências
Andrej Karpathy cunhou o termo 'vibe coding' em um post no X publicado em 2 de fevereiro de 2025.
A Anthropic anunciou o Model Context Protocol (MCP) como padrão aberto para conectar assistentes de IA a sistemas de dados e ferramentas, em 25 de novembro de 2024.
O Claude Code foi apresentado como prévia de pesquisa junto com o Claude 3.7 Sonnet, em 24 de fevereiro de 2025.
O GitHub tornou o Copilot coding agent, um agente assíncrono e autônomo, geralmente disponível para assinantes pagos em 25 de setembro de 2025.
Em dezembro de 2025, a Anthropic doou o MCP para a Agentic AI Foundation, fundo dentro da Linux Foundation cofundado com OpenAI e Block, citando mais de 10 mil servidores MCP públicos ativos e mais de 97 milhões de downloads mensais de SDK.
O Collins Dictionary elegeu 'vibe coding' a palavra do ano de 2025.
A Cognition Labs apresentou o Devin, descrito como 'o primeiro engenheiro de software de IA', em 12 de março de 2024.
Em 2026, Andrej Karpathy passou a diferenciar 'vibe coding' de 'agentic engineering', descrevendo a segunda como orquestrar agentes falíveis preservando correção, segurança e manutenibilidade.
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